segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O papel da inclusão digital na educação musical


As tecnologias de informação e comunicação, de certo modo, é parte indissociável da cultura humana contemporânea. Em se tratando da área da música podemos dizer que a música, hoje, não se completaria em todos os âmbitos que ela alcança sem as ferramentas da tecnologia digital. Desde o primeiro arquivamento de um áudio demo na música comercial, por exemplo, à simples apreciação por um consumidor comum. Assim como em todas as áreas, a tecnologia digital colabora com a fruição das coisas e do tempo, o que tem sido o grande desafio do homem moderno.  
Se em alguns setores da vida cotidiana ainda há possibilidades de se manter excluído do mundo digital, a educação musical, ao contrário disso, se alimenta e se refaz dentro das tecnologias de informática e comunicação. Partindo do princípio que para fazer música precisamos ouvir música, logo nos reportaremos aos produtos musicais que se produz e reproduz sob a mesa das modernas tecnologias digitais ligadas ao campo das multimídias.
Ao listar os recursos didáticos utilizados por um professor de educação musical, mesmo que pensemos em um professor modesto digitalmente, veremos a impossibilidade do trabalho deste professor acontecer fora das TIC. O uso de pen drive como armazenamento e transporte de áudio, o próprio leitor de dados contidos neste hardware. Por outro lado, geralmente a fonte de aquisição e compartilhamento de músicas geralmente se dará por meio digital.   
Na área da educação além de facilitar a vida do professor e otimizar o tempo dos envolvidos, o uso de tecnologias de informação e comunicação na sala de aula é um atrativo em potencial, pois desde as crianças até aos mais velhos, as TIC tem lugar garantido na vida dos jovens.
Desta forma, pensar o processo de ensino aprendizagem na Educação Musical desvinculado do processo de inclusão digital é praticamente impossível, já que até os simples ouvintes de música, de uma forma ou de outra, evolui juntamente com as tecnologias que amparam a produção musical e a sua  comercialização, por exemplo.
Os limites, tanto dos alunos quanto do educador, para com a cibercultura, diante da prática coerente da educação musical, com certeza, serão minimizados se olharmos para os recursos que o professor necessita em sala para dialogar com os produtos e atividades sonoros musicais que serão apresentados aos seus alunos. Logo, perceberemos que tanto o dia a dia do educador musical, quanto do aluno nas aulas de educação musical se desenvolve contra o processo da exclusão digital, já que toda a fonte de pesquisas musicais, de repertórios, de registros, por exemplo, se dá por meio do uso das tecnologias digitais. Desde a simples audição de uma música ou a apresentação da letra da música por meio de cópias xerocadas, gravação e edição de áudios. 
Vale observar que dentro do processo de ensino aprendizagem quando a área é a música, o processo ensino/aprendizagem acontecerá naturalmente de forma mais justa pois nesta área de conhecimento, que são as TIC, geralmente, é comum os adultos admitirem que em questões de tecnologias de informática e comunicação os mais jovens estão literalmente mais conectados. Desta forma, o professor às vezes será o mediador entre seus alunos e as tecnologias voltadas para a música e à educação musical, porém, às vezes será beneficiado com as novidades digitais que circulam entre os adolescentes, por exemplo, pois sabemos que entre este grupo o uso de novos aplicativos, software ou outros recursos digitais tem circulação e aceitação instantâneas.
Se olharmos pedagogicamente para as possibilidades de troca de conhecimento que as tecnologias digitais podem gerar entre professor e aluno, lembraremos dos ensinamentos de FREIRE (1981) que defende fervorosamente a ética nas relações onde um aprende com o outro mediatizados pelo mundo.
Dentro deste processo em que o aluno se vê livre para colaborar com seu próprio aprendizado, abre-se espaço para a verdadeira inclusão digital, onde práticas pedagógicas trarão momentos de descobertas e conscientização sobre as mais diversas funções sociais e acadêmicas das TIC.
Partindo do pressuposto que nossos jovens, na maioria das vezes, estão munidos de aparelhos com aplicativos bem atualizados e tem total habilidade operacional, porém nãos os utilizam como ferramenta para produção de conhecimento, de pesquisa, ou produção musical - compor, gravar áudio, fazer música coletivamente, entre outras possibilidades -  o educador musical tem um grande desafio diante destes alunos, e ao mesmo tempo a certeza da conquista de bons resultados, pois geralmente trabalhar música é facilmente aplicável entre os alunos, desta maneira, somar música e tecnologia então, a real inclusão digital será fato garantido.  

Referências:


FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 9 ed., Rio de Janeiro. Editora Paz e Terra. 1981.

UFSCAR, EAD. Tecnologia da Internet para Educação Musical, Unidade 1 - A Internet e a Inclusão, Digital-Livro eletrônico: A inclusão digital na sociedade em rede. 2015. 

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